Seu intestino nunca para de incomodar? Pode ser SIBO.
- 25 de jun.
- 3 min de leitura
Inchaço logo depois de comer, gases em excesso, diarreia ou prisão de ventre que não têm explicação clara. Muita gente passa anos tentando resolver esses sintomas sem sucesso mesmo mudando alimentação, tomando probióticos, cortando lactose, glúten e continua sem resposta. Em alguns casos, a causa pode ser SIBO.

O que é SIBO?
SIBO é a sigla em inglês para Small Intestinal Bacterial Overgrowth, ou supercrescimento bacteriano do intestino delgado.
O intestino grosso naturalmente abriga uma grande quantidade de bactérias. O intestino delgado, por sua vez, deveria ter uma quantidade muito menor. Quando esse equilíbrio é quebrado e bactérias se proliferam em excesso no intestino delgado, temos o SIBO.
Essas bactérias fermentam os alimentos antes da absorção adequada, produzindo gases em excesso e causando uma série de sintomas.
Quais são os sintomas?
Os sintomas do SIBO são inespecíficos, o que torna o diagnóstico difícil:
Inchaço abdominal, especialmente após as refeições
Gases em excesso
Diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois
Dor e desconforto abdominal
Sensação de digestão lenta
Fadiga
Deficiências nutricionais como B12, ferro e vitaminas lipossolúveis nos casos mais graves
Por que o SIBO acontece?
O intestino delgado tem mecanismos para controlar o crescimento bacteriano: movimentos peristálticos, ácido gástrico, válvulas e secreções intestinais. Quando algum desses mecanismos falha, o SIBO pode se instalar.
Alguns fatores de risco:
Uso prolongado de inibidores de bomba de prótons (IBP): reduzem o ácido gástrico, que é uma barreira natural contra bactérias.
Motilidade intestinal reduzida: diabetes, hipotireoidismo, uso de certos medicamentos e alterações estruturais podem retardar o trânsito intestinal.
Alterações anatômicas: cirurgias abdominais prévias, aderências ou válvula ileocecal comprometida.
Doenças de base: doença celíaca não tratada, doença de Crohn, esclerodermia.
Como é feito o diagnóstico?
O exame padrão é o teste respiratório, não invasivo e realizado em consultório ou laboratório especializado. O paciente ingere uma solução de lactulose ou glicose e o ar expirado é analisado em intervalos de 15 minutos. O aumento de hidrogênio e/ou metano indica fermentação bacteriana excessiva no intestino delgado.
É importante que o teste seja interpretado por um médico com experiência, pois os resultados podem variar e o contexto clínico do paciente sempre precisa ser considerado.
Qual é o tratamento?
O tratamento do SIBO envolve mais de uma etapa:
Antibioticoterapia: antibióticos específicos são usados para reduzir o supercrescimento bacteriano.
Tratamento da causa subjacente: sem tratar o que favoreceu o SIBO, há grande chance de recidiva. Por isso, identificar e corrigir o fator de risco é parte essencial do tratamento.
Ajuste alimentar: dietas específicas podem ser recomendadas durante o tratamento para reduzir a fermentação e aliviar os sintomas. Não existe um protocolo único — a orientação deve ser individualizada.
Suporte nutricional: nos casos com deficiências, a reposição de nutrientes pode ser necessária.
SIBO e Síndrome do Intestino Irritável (SII): qual a relação?
Muitos pacientes com diagnóstico de SII têm o SIBO como causa ou fator associado. Os sintomas se sobrepõem, e por isso é importante investigar o SIBO em quem tem SII de difícil controle ou que não responde bem ao tratamento convencional.
Se você tem sintomas digestivos crônicos que não melhoram com as abordagens habituais, vale conversar com um gastroenterologista sobre a possibilidade de investigar SIBO.
Dra. Daniella Cavalcanti
Médica Gastroenterologista | CRM 5287468-0 | RQE 20509
Formada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 2008. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Pós-Graduação em Gastroenterologia pela PUC-RJ. Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia desde 2012. Atuou na especialidade há mais de 12 anos, com experiência em clínica privada, em hospital privado e público, além de já ter atuado como professora universitária (Universidade Estácio de Sá).

