Será mesmo que você tem intolerância à lactose?
- 17 de jun.
- 3 min de leitura
A intolerância à lactose é real, é comum e tem solução. Mas ela também é um dos diagnósticos mais auto atribuídos sem investigação adequada e isso pode fazer você cortar alimentos à toa enquanto a causa real fica sem tratamento.
Vamos entender de verdade o que é, como confirmar e o que fazer.

O que é intolerância à lactose?
A lactose é o açúcar naturalmente presente no leite e nos laticínios. Para digeri-la, o organismo precisa de uma enzima chamada lactase, produzida no intestino delgado.
Quando o corpo produz lactase em quantidade insuficiente, a lactose não é digerida adequadamente e ela chega ao intestino grosso onde é fermentada pelas bactérias, causando os sintomas característicos.
Quais são os sintomas?
Os sintomas aparecem geralmente entre 30 minutos e 2 horas após consumir lactose:
Inchaço e distensão abdominal
Gases em excesso
Diarreia
Cólicas abdominais
Náuseas
A intensidade varia de pessoa para pessoa e depende muito da quantidade de lactose consumida e do grau de deficiência de lactase.
Algumas vezes você acha que tem, mas na verdade é outra coisa.
Vários outros problemas causam exatamente os mesmos sintomas:
Síndrome do Intestino Irritável (SII)
Uma das condições que mais se confunde com intolerância à lactose. A SII também causa inchaço, gases, diarreia e cólicas e pode piorar com laticínios sem que a lactose seja a causa real.
Doença Celíaca
A intolerância ao glúten pode causar sintomas digestivos muito parecidos com os da intolerância à lactose. A doença celíaca não tratada pode danificar o intestino delgado e causar deficiência secundária de lactase. Ou seja: a pessoa pode desenvolver intolerância à lactose por causa da doença celíaca não diagnosticada.
Disbiose intestinal
O desequilíbrio das bactérias intestinais pode causar fermentação excessiva e sintomas idênticos aos da intolerância à lactose.
Alergia à proteína do leite
Diferente da intolerância à lactose, que é uma questão de digestão, a alergia ao leite é uma resposta imunológica às proteínas do leite. Os sintomas podem ser parecidos, mas o mecanismo e o tratamento são completamente diferentes.
Como confirmar o diagnóstico?
Simplesmente cortar o leite e ver se melhora não é diagnóstico. Isso porque a melhora pode acontecer por outros motivos e você pode ficar anos evitando laticínios sem necessidade.
Os exames mais utilizados são:
Teste respiratório para lactose
O mais prático e não invasivo. Você ingere uma solução com lactose e o ar expirado é analisado. Se houver fermentação excessiva, o hidrogênio no ar estará elevado, confirmando a intolerância.
Teste de tolerância à lactose
Mede a glicose no sangue após ingestão de lactose. Se a lactose não for absorvida adequadamente, os níveis de glicose não sobem como esperado.
Biópsia intestinal
Realizada durante a endoscopia, pode identificar a deficiência de lactase diretamente na mucosa intestinal.
Intolerância à lactose tem cura?
Não, mas tem manejo. E a boa notícia é que a maioria das pessoas com intolerância à lactose consegue consumir pequenas quantidades sem sintomas. Nem todo mundo precisa eliminar completamente os laticínios.
O tratamento envolve:
Reduzir o consumo de lactose
Preferir laticínios naturalmente pobres em lactose, como queijos curados e iogurte
Usar suplementos de lactase quando necessário
Acompanhar a ingestão de cálcio para não criar deficiência nutricional
Quando procurar um médico?
Se você suspeita de intolerância à lactose, o caminho correto é:
Não se autodiagnosticar
Não cortar alimentos sem orientação
Procurar um gastroenterologista para investigação adequada
Antes de cortar o leite da sua vida, vale confirmar se é isso mesmo que você tem. Com o diagnóstico certo, você trata o problema de verdade e recupera a qualidade de vida sem abrir mão do que não precisa.
Dra. Daniella Cavalcanti
Médica Gastroenterologista | CRM 5287468-0 | RQE 20509
Formada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 2008. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Pós-Graduação em Gastroenterologia pela PUC-RJ. Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia desde 2012. Atuou na especialidade há mais de 12 anos, com experiência em clínica privada, em hospital privado e público, além de já ter atuado como professora universitária (Universidade Estácio de Sá).

