Maio Roxo: O Mês Que Coloca as Doenças Inflamatórias Intestinais em Evidência
- 5 de mai.
- 3 min de leitura
Se você nunca ouviu falar em Maio Roxo, esse texto é para você. E se já ouviu, mas não sabe exatamente o que são as Doenças Inflamatórias Intestinais, esse texto também é para você.
Todo mês de maio, a cor roxa toma conta das redes sociais, dos consultórios e das campanhas de saúde em todo o mundo. O objetivo é um só: conscientizar sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais, as chamadas DII, e reduzir o tempo que as pessoas levam para receber um diagnóstico correto.
E esse tempo, infelizmente, costuma ser longo demais…

O que são as Doenças Inflamatórias Intestinais?
As Doenças Inflamatórias Intestinais são condições crônicas que causam inflamação no trato digestivo. As duas principais são:
Doença de Crohn Pode afetar qualquer parte do trato digestivo — da boca ao ânus — mas é mais comum no intestino delgado e no início do intestino grosso. A inflamação pode atingir todas as camadas da parede intestinal.
Retocolite Ulcerativa Afeta exclusivamente o intestino grosso — o cólon e o reto. A inflamação é contínua e se limita à camada mais interna da parede intestinal.
Apesar de diferentes, as duas condições compartilham uma característica importante: são crônicas, com períodos de crise e períodos de remissão — e precisam de acompanhamento médico contínuo.
Por que o diagnóstico demora tanto?
Essa é uma das questões mais dolorosas para quem vive com DII. Em média, os pacientes levam entre 3 e 5 anos para receber o diagnóstico correto após o início dos sintomas.
Por quê? Porque os sintomas das DII se confundem facilmente com outras condições: síndrome do intestino irritável, intolerância alimentar, estresse. Muita gente passa anos sendo tratada para o problema errado.

Quais são os sintomas?
Os sintomas mais comuns das DII incluem:
Diarreia frequente: às vezes com sangue ou muco
Dor e cólica abdominal
Urgência para evacuar
Perda de peso sem explicação
Cansaço excessivo
Febre em períodos de crise
Sangue nas fezes
É importante destacar: esses sintomas variam muito de pessoa para pessoa. Alguns têm crises intensas e frequentes. Outros ficam longos períodos sem sintomas.
Quem pode desenvolver DII?
As DII podem afetar qualquer pessoa, em qualquer idade. Mas são mais comuns entre os 15 e os 35 anos: o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.
Alguns fatores que aumentam o risco:
Histórico familiar de DII
Tabagismo (especialmente para a Doença de Crohn)
Uso prolongado de anti-inflamatórios
Alterações na microbiota intestinal
Tem cura?
Não. As DII são condições crônicas, mas isso não significa que não têm tratamento. Com acompanhamento médico adequado, é totalmente possível controlar os sintomas, reduzir as crises e ter qualidade de vida.
O tratamento evoluiu muito nos últimos anos com medicamentos biológicos, imunomoduladores e outras abordagens que permitem que muitos pacientes vivam em remissão por longos períodos.
Por que o Maio Roxo importa?
Porque conscientização salva. Quanto mais pessoas conhecem os sintomas das DII, mais rápido buscam ajuda. E quanto mais rápido o diagnóstico, menores os danos causados pela inflamação crônica não tratada.
Se você convive com sintomas intestinais persistentes que nunca tiveram uma explicação clara, esse mês é um convite para investigar.
As Doenças Inflamatórias Intestinais afetam milhões de pessoas no mundo
e muitas delas ainda não sabem que têm. O Maio Roxo existe para mudar isso.
Se você se identificou com algum dos sintomas descritos aqui, não normalize. Procure um gastroenterologista e investigue. O diagnóstico certo muda tudo.
Dra. Daniella Cavalcanti
Médica Gastroenterologista | CRM 5287468-0 | RQE 20509
Formada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 2008. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Pós-Graduação em Gastroenterologia pela PUC-RJ. Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia desde 2012. Atuou na especialidade há mais de 12 anos, com experiência em clínica privada, em hospital privado e público, além de já ter atuado como professora universitária (Universidade Estácio de Sá).

