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Retocolite Ulcerativa: O Que é, Como Identificar e Como Tratar

  • 14 de mai.
  • 3 min de leitura

Dor abdominal recorrente, diarreia com sangue, urgência para ir ao banheiro. Esses sintomas podem ser confundidos com muitas coisas, mas em alguns casos indicam uma condição inflamatória intestinal séria: a retocolite ulcerativa. Entender o que é e como ela se manifesta pode fazer toda a diferença no diagnóstico precoce e na qualidade de vida.



mulher com retocolite ulcerativa

O que é retocolite ulcerativa?


A retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica que afeta o intestino grosso, especialmente o reto e o cólon. Ela provoca inflamação e úlceras na mucosa intestinal, causando sintomas que variam de leves a graves.

 

É uma doença autoimune: o sistema imunológico ataca o próprio intestino de forma equivocada. O curso da doença é caracterizado por períodos de crise (chamados de surtos) alternados com períodos de remissão, em que os sintomas diminuem ou desaparecem.



Quais são os sintomas?


Os sintomas variam conforme a extensão e a gravidade da inflamação:

 

•    Diarréia frequente, muitas vezes com sangue ou muco

•    Dor e cólicas abdominais

•    Urgência súbita para evacuar

•    Sensação de evacuação incompleta

•    Fadiga e fraqueza

•    Perda de peso involuntária

•    Febre nos surtos mais graves

 

Em casos mais extensos, a doença pode causar manifestações fora do intestino, como dores articulares, alterações na pele e nos olhos


Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico da retocolite ulcerativa exige investigação médica completa. Não é possível confirmar apenas pelos sintomas.

 

Colonoscopia com biópsia: é o exame principal. Permite visualizar diretamente a mucosa intestinal e coletar amostras para análise. A aparência característica da inflamação contínua a partir do reto é um dos critérios diagnósticos.

 

Exames de sangue: avaliam anemia, marcadores inflamatórios como PCR e VHS, e estado nutricional do paciente.

 

Exame de fezes: ajuda a descartar infecções e avaliar marcadores de inflamação intestinal, como a calprotectina fecal.

 

Exames de imagem: em casos específicos, podem ser solicitados para avaliar complicações.


Como diferenciar de outras doenças intestinais?


A retocolite ulcerativa pode ser confundida com outras condições, como:

 

Doença de Crohn: também é uma doença inflamatória intestinal, mas pode afetar qualquer parte do tubo digestivo, tem padrão de inflamação diferente e, frequentemente, compromete camadas mais profundas da parede intestinal.

 

Síndrome do Intestino Irritável (SII): não é inflamatória e não causa lesões na mucosa. Os exames são normais, enquanto na RCU mostram alterações.

 

Infecções intestinais: algumas bactérias causam diarreia com sangue e podem simular uma crise de RCU. O exame de fezes ajuda a descartar essa possibilidade.


Qual é o tratamento?


A retocolite ulcerativa não tem cura, mas tem tratamento eficaz. O objetivo é controlar a inflamação, induzir e manter a remissão, e melhorar a qualidade de vida.

 

Medicamentos com ação anti-inflamatória no intestino: como a mesalazina, são usados nas formas leves a moderadas.

 

Corticoides: indicados para controlar surtos mais intensos, mas não são adequados para uso prolongado.

 

Imunossupressores: como azatioprina, usados para manutenção em casos moderados.

 

Terapias biológicas: medicamentos mais modernos que atuam em alvos específicos do processo inflamatório, indicados para casos moderados a graves ou quando outros tratamentos não foram suficientes.

 

Cirurgia: em casos graves ou quando há risco de complicações, pode ser necessária a retirada de parte ou de todo o intestino grosso.


É possível viver bem com retocolite ulcerativa?


Sim. Com acompanhamento médico adequado, a maioria dos pacientes consegue manter a doença em remissão por longos períodos e levar uma vida normal.

O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para evitar complicações e preservar a qualidade de vida.


Se você tem sintomas persistentes de diarreia, sangramento ou dor abdominal, não espere: procure um gastroenterologista para investigação.






Dra. Daniella Cavalcanti

Médica Gastroenterologista | CRM 5287468-0 | RQE 20509

Formada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 2008. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Pós-Graduação em Gastroenterologia pela PUC-RJ. Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia desde 2012. Atuou na especialidade há mais de 12 anos, com experiência em clínica privada, em hospital privado e público, além de já ter atuado como professora universitária (Universidade Estácio de Sá).


 
 
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