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SIBO: 5 erros comuns que atrasam o diagnóstico e comprometem o tratamento

  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura

O supercrescimento bacteriano no intestino delgado, conhecido pela sigla SIBO (do inglês Small Intestinal Bacterial Overgrowth), é uma condição ainda pouco compreendida fora dos consultórios de gastroenterologia. E exatamente por isso, muitas pessoas que convivem com inchaço, gases e constipação passam anos tentando soluções que não chegam à causa do problema.


Este post não é sobre o que fazer para tratar SIBO. É sobre o que evitar, porque os erros mais comuns são os que mais atrasam a melhora.



intestino sibo

Erro 1: Assumir que é "coisa rara" e não investigar


SIBO é subdiagnosticado, não raro. A diferença é importante. Quando uma condição é pouco investigada, ela aparece pouco nas estatísticas, o que alimenta a percepção equivocada de que é incomum.


Na prática clínica, o que vejo com frequência são pacientes que convivem com sintomas por anos, consultaram diferentes especialidades e nunca tiveram o teste respiratório solicitado. O diagnóstico existe. A ferramenta diagnóstica existe. O que faltou foi a investigação.


Erro 2: Atribuir o problema exclusivamente à alimentação


A dieta influencia a intensidade dos sintomas, mas raramente é a causa do SIBO. Cortar glúten, lactose ou alimentos fermentáveis (a chamada dieta low-FODMAP) pode reduzir o desconforto, mas não elimina o supercrescimento bacteriano.


As causas mais comuns do SIBO incluem alterações na motilidade intestinal (quando o trânsito é lento), uso prolongado de inibidores de bomba de prótons, cirurgias abdominais anteriores e condições que afetam o sistema nervoso entérico. Investigar a causa subjacente é o que define o plano de tratamento e, principalmente, o que previne a recorrência.


Erro 3: Iniciar probiótico sem diagnóstico


Probióticos têm indicações precisas. No contexto do SIBO, a suplementação sem diagnóstico e sem orientação médica pode, em alguns casos, piorar o quadro, já que o problema central é justamente um excesso de bactérias em um local onde elas não deveriam estar em grande quantidade.


Isso não significa que probióticos sejam contraindicados para todas as pessoas com SIBO. Significa que a decisão precisa ser baseada no tipo de SIBO diagnosticado, no momento do tratamento e nas características individuais de cada paciente.


Erro 4: Esperar que o quadro se resolva sozinho porque "os exames deram normais"


Os exames de rotina, incluindo hemograma, exames de fezes e colonoscopia, não investigam SIBO. São exames importantes, mas com objetivos distintos. Resultado normal nesses exames não exclui a condição.


O diagnóstico do SIBO é feito pelo teste respiratório, um exame não invasivo que mede a concentração de hidrogênio e metano no ar expirado após a ingestão de um substrato específico. É um exame com indicação precisa, interpretação técnica e que muda o rumo do tratamento quando positivo.


Erro 5: Tratar sem acompanhar


O SIBO pode recorrer. Isso não é falha do tratamento. É uma característica da condição, especialmente quando a causa subjacente não foi completamente identificada ou tratada.


Por isso, o acompanhamento após o tratamento não é opcional. Monitorar a resposta, avaliar sintomas residuais, ajustar o protocolo e, quando indicado, repetir o teste respiratório faz parte do cuidado adequado. O objetivo não é só eliminar o supercrescimento. É trabalhar para que ele não volte.


O que muda com o diagnóstico correto de SIBO


Quando o SIBO é identificado e tratado de forma estruturada, as mudanças na qualidade de vida costumam ser significativas. Inchaço que parecia permanente melhora. Gases que interferiam no cotidiano diminuem. Trânsito intestinal se regulariza. 


Não porque houve milagre. Porque houve diagnóstico, tratamento adequado e acompanhamento.


Se você se identificou com algum dos erros descritos aqui, ou se convive com sintomas digestivos que ainda não têm explicação, uma avaliação especializada é o próximo passo.





Dra. Daniella Cavalcanti

Médica Gastroenterologista | CRM 5287468-0 | RQE 20509

Formada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 2008. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Pós-Graduação em Gastroenterologia pela PUC-RJ. Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia desde 2012. Atuou na especialidade há mais de 12 anos, com experiência em clínica privada, em hospital privado e público, além de já ter atuado como professora universitária (Universidade Estácio de Sá).


 
 
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