Teste respiratório de hidrogênio: o exame que pode explicar o que está errado no seu intestino
Inchaço, gases, diarreia, prisão de ventre. Você já fez endoscopia, colonoscopia, exame de sangue e todos foram normais. Mas os sintomas continuam. Em muitos casos, o que está faltando é um exame simples, não invasivo e ainda pouco conhecido: o teste respiratório de hidrogênio.

Como o intestino produz gás?
O ser humano não produz hidrogênio nem metano por conta própria. Esses gases são produzidos pelas bactérias e arqueas que habitam o intestino durante o processo de fermentação dos carboidratos não absorvidos.
Quando há um desequilíbrio, como no supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO) ou no supercrescimento de metanogênicos intestinais (IMO), essa fermentação acontece em excesso ou no lugar errado. Os gases produzidos são absorvidos pela mucosa intestinal, caem na corrente sanguínea e chegam aos pulmões, onde são eliminados pelo ar expirado.
É exatamente isso que o teste respiratório mede.
Para que serve o teste respiratório de hidrogênio?
O teste é utilizado para investigar três condições principais:
SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado): bactérias em excesso no intestino delgado fermentam os carboidratos precocemente, causando inchaço, gases, diarreia ou prisão de ventre.
IMO (supercrescimento de metanogênicos intestinais): produção excessiva de metano por arqueas, associada à prisão de ventre crônica e ao inchaço persistente.
Intolerância à lactose: quando a lactose não é digerida adequadamente, ela chega ao intestino grosso e é fermentada pelas bactérias, gerando hidrogênio detectável no ar expirado.
Como o exame é feito?
O teste é simples e não invasivo. Não há agulha, não há sedação, não há desconforto.
O paciente ingere uma solução com um substrato específico, que pode ser lactulose, glicose ou lactose, dependendo do que está sendo investigado. Em seguida, sopra em um aparelho em intervalos regulares, geralmente a cada 15 a 20 minutos, ao longo de 2 a 3 horas.
O aparelho analisa a concentração de hidrogênio e metano no ar expirado. O padrão e o momento em que esses gases aumentam ajudam o médico a identificar onde e como está ocorrendo a fermentação excessiva.
O preparo é importante
O teste exige uma preparação cuidadosa para que o resultado seja confiável:
Nos dias anteriores, é necessário evitar alimentos que fermentam com facilidade, como fibras em excesso, feijão, repolho, cebola e frutas com alto teor de frutose.
Na véspera do exame, a alimentação deve ser restrita a alimentos de baixa fermentação, como arroz branco, frango grelhado e ovos.
No dia do exame, o paciente deve estar em jejum de pelo menos 8 a 12 horas.
O uso recente de antibióticos pode interferir nos resultados. Em geral, recomenda-se aguardar pelo menos 4 semanas após o término do antibiótico para realizar o teste.
Cada clínica pode ter orientações específicas. Seguir o protocolo à risca faz diferença direta na qualidade do resultado.
Como o resultado é interpretado?
A interpretação não é feita apenas pelo número. O médico avalia o padrão de elevação dos gases ao longo do tempo, o tipo de gás predominante, hidrogênio ou metano, e os sintomas que o paciente apresenta durante o exame.
Uma elevação precoce de hidrogênio, nas primeiras 90 a 120 minutos, pode indicar SIBO. Uma elevação predominante de metano sugere IMO. O padrão para intolerância à lactose tem características próprias.
Por isso, o resultado precisa sempre ser interpretado por um médico com experiência, dentro do contexto clínico completo do paciente.
O teste respiratório substitui outros exames?
Não. Ele complementa a investigação. Em muitos casos, é necessário associar o teste respiratório a outros exames, como endoscopia, colonoscopia, exames de sangue ou de fezes, para ter um diagnóstico completo e um plano de tratamento adequado.
Mas para muitos pacientes com sintomas crônicos e exames convencionais normais, o teste respiratório é o primeiro exame que finalmente aponta para uma causa real.
Se você tem sintomas digestivos persistentes e os exames de rotina não explicaram nada, converse com seu gastroenterologista sobre a indicação do teste respiratório. Pode ser o passo que estava faltando.
Dra. Daniella Cavalcanti
Médica Gastroenterologista | CRM 5287468-0 | RQE 20509
Formada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 2008. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Pós-Graduação em Gastroenterologia pela PUC-RJ. Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia desde 2012. Atuou na especialidade há mais de 12 anos, com experiência em clínica privada, em hospital privado e público, além de já ter atuado como professora universitária (Universidade Estácio de Sá).
